Resenha: Quem é Você, Alasca? - John Green




  • Título: Looking for Alaska
  • Autor(a): John Green
  • Editora: Dutton Books
  • Ano: 2005
  • Páginas: 221

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras — e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez. Quem é você, Alasca? narra de forma brilhante o impacto indelével que uma vida pode ter sobre outra. Este livro incrível marca a chegada de John Green como uma voz importante na ficção contemporânea.

Quem é Você, Alasca? é um dos livros que eu mais li resenhas positivas. Há divergências sobre como interpretar seu enredo, seus personagens, mas sem dúvidas, qualquer que seja o pensamento de quem leu, gostou desse livro. Claro, há uma resenha negativa aqui, outra ali, uma acolá dizendo que o livro não é tudo o que estava esperando, mas em sua essência, o livro é muito bem elogiando, bem como seu autor. Bom, eu só pensei que um livro que é quase uma unanimidade não pode ser ruim, de forma alguma. Agradeci aos céus por estar certa.

A verdade é que eu tinha minhas expectativas absurdamente altas! E apesar de ter adorado livro, o que ele realmente é ficou meio longe das minhas expectativas, não quero dizer que ficou mais baixa, só... longe, como em um universo diferente; O que eu quero dizer é que Quem é Você, Alasca? é bem diferente do que eu tinha imaginado. Seus personagens, seu enredo e, principalmente, o curso da história.

Adorei como o livro é feito basicamente de pensamentos e atitudes que levam a uma filosofia, que fazem o leitor parar para pensar no amor, na amizade e, sobretudo, na lealdade. Espero que ninguém comece a ler esse livro esperando por um romance épico, pois vai quebrar a cara, há apenas personagens complexos demais que acabam se encontrando e se envolvendo. Miles se muda para um colégio interno com um objetivo: encontrar o Grande Talvez. O que eu achei super interessante, apesar de isso ser mencionado em poucas partes do livro. Assim como uma característica que o Miles tem que é a de decorar as últimas palavras de pessoas famosas, como presidentes, autores e etc. Esse atributo dele ficou meu esquecido com o passar das páginas, e lamentei bastante, pois foi ela que faz dele tão diferente dos outros personagens, essa mania meio mórbida, mas que ensinava tanto para a gente.

“Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão.”
– Miles, pág. 88

E então conhecemos Alasca, uma garota meio (ou muito) perturbada. Metade do tempo nós querendo matar ela, mas na outra metade só tentamos adivinhar o que diabos se passa na cabeça dela. Assim como Miles, Alasca também tem um propósito de vida: encontrar a saída do labirinto, fazendo referência ao livro “O General em Seu Labirinto”, de Gabriel García Márquez. Ela, porém, parece bem motivada por uma briga consigo mesma. O que me irritou, e irritou o Miles também, foi o fato dela ser tão imprevisível, e, às vezes tão egoísta, tendo os amigos mais fiéis do mundo, mas nunca parando para compartilhar com eles o que quer que passasse na sua cabeça.

O livro é enigmático desde suas palavras até a capa (a americana, digo). John Green leva temas tão, por assim dizer, simplórios e batidos, a um novo nível. Ele trata de questões adolescentes tão comuns como pegadinhas, rivalidade com os garotos ricos e populares, problemas com os pais, driblar o diretor do colégio, coisas assim. O autor conseguiu fazer disso algo novo. Com o passar dos acontecimentos até um pouco corriqueiros, há uma contagem regressiva. O interessante é que o livro não é dividido entre capítulos e sim entre “dias”, “cem dias antes”, “quarenta dias antes”, e nós não sabemos o que está por vir até que os dias se esgotam. E então passamos para uma contagem progressiva e o livro muda quase completamente.

Quem é Você, Alasca? não chegou a se tornar um dos meus livros preferidos, mas ganhou minha admiração. Não simpatizei com o ritmo da história, apesar de amar o “estilo” da narrativa, se é que me entendem. Gostei de como John Green conseguiu transpor bem os sentimentos dos personagens, mesmo o livro sempre em 1ª pessoa, pela visão do Miles. Amei os personagens, sobretudo Takumi e O Coronel (Chip). Miles e Lara também me conquistaram, mas os dois primeiros foram mais divertidos e maravilhosos. Alasca não conquistou muito minha simpatia, infelizmente, mas devo dizer que até eu fiquei intrigada com o mistério que ela era.

Geral: (4/5)
Narrativa: (5/5)
História: (4/5)
Facilidade de Leitura: (5/5)
Design: (5/5)
Revisão: (5/5)

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