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Será que os jogos e as séries estão "matando" a literatura?



Se você acha que já viu esse título em algum lugar ou que já leu algo parecido, pode ficar despreocupado que isso não é um texto plagiado. Eu li essa informação no Literatortura e como se trata de um tema que abre portas para opinar, eu resolvi passá-lo aqui para vocês. Uma campanha da Associação de Editores de Madrid sugere que atividades como jogos – sejam em mobiles ou em consoles – e seriados de televisão, estão roubando a vez do livro e matando-o. Eles se basearam na ideia de que quanto mais ocupado você estiver jogando ou assistindo séries, menos tempo você se dedicará a leitura. A foto abaixo ilustra um pássaro do Angry Bird derrubando o castelo de Dom Quixote.

A campanha faz sentido. Conheço muitos gamers, inclusive meu namorado, que deixa de ler, para jogar. Ou deixa de fazer qualquer outra coisa pra jogar. Meu irmão mais novo, de 12 anos, também é um exemplo deste caso. Já tentei fazer com que ele lesse Harry Potter enquanto ele estava zerando God of War III no Playstation ou até quando ele estava viciado em algum jogo no computador. Não tem jeito! Para quem gosta de imagem, ação e som, é difícil se desprender da frente de um computador ou de uma televisão para embarcar nas páginas "morgadas" de um livro, onde a leitura pode dar sono, preguiça ou qualquer outra coisa que faça surgir a velha desculpa "não gosto de ler".

A sorte deles, é que nenhum gosta de séries. Neste caso, a viciada sou eu. Se brincar, eu passo o dia na frente da televisão assistindo The Big Bang Theory, Two and a Half Man e Friends. Mas como meu vício em leitura é muito maior que qualquer coisa, aquele livrinho, que sempre está perto de mim, acaba me conquistando e falando mais alto que a série de televisão. Consigo equilibrar minhas duas principais fontes de entretenimento. Além disso, ainda tenho faculdade, estágio, namorado, curso no fim de semana e o pouco tempo que dedico para descansar. Bom, é uma luta diária para saber o que vem na frente, mas aprendi a distribuir as horas, e consigo até ler um livro por semana.
O personagem do Pequeno Príncipe é baleado em Call Of Duty
O legal é quando dá pra conciliar duas mídias em uma mesma história, como acontece em Game of Thrones (televisão) e As Crônicas de Gelo e Fogo (livro). Nesse caso, por falta de tempo, eu estou mais avançada na série do que nos livros porque, como vocês sabem, os livros são bem pesados e de difícil leitura. A terceira temporada já estreou e eu ainda não parei para baixar nenhum episódio, mesmo sendo minha série favorita, tanto televisionada como nas páginas. São sete livros, cinco já lançados aqui no Brasil e, até agora, eu só consegui ler o primeiro da série.

Sobre ler e ter livros




Essa semana, eu estava dando um olhada nos posts da Iemai e me deparei com um texto com uma discussão bem interessante. Ela fez um post com o seguinte título: Eu não me importo que os livros acabem. Ela falou sobre o fato da tecnologia estar totalmente entregada a leitura, agora com o surgimento dos tablets e mais ainda com o lançamento do Kindle no Brasil. O texto foi uma opinião bem formada da blogueira sobre o tema "será que os livros vão resistir à tecnologia digital?" que foi escrito pela Mari Mendes. Bom, como uma coisa puxa a outra, eu vou opiniar agora sobre um levantamento interessante que surgiu no texto da Iemai.

A questão é a seguinte: todos, frequentadores de blogs de literatura e leitores assíduos, amamos ler. Eu, por exemplo, leio até bula de remédio se eu não tiver o que ler quando o tédio aperta e se não tiver nenhum livro por perto. Mas infelizmente, hoje o ter o livro vale mais que o ter a cultura. Não que colecionar livros não seja cultura, de jeito nenhum, mas parece que esse vício em ler na página física e ter mais de cem livros dentro de casa, dominou tanto as pessoas, principalmente os jovens, que compram mais de cinco livros por semana (nós, por exemplo), que vale mais ter uma coleção do livros para ler do que ter lido todos eles, mesmo sem tê-los na estante.

Algumas pessoas preferem ler o livro físico (como eu), mas não porque eu quero ter todos os livros do mundo na minha estante e sair marcando loucamente no Skoob: tenho, tenho, tenho... Gosto de tê-los em minhas mãos, claro! É como um tesouro, uma joia rara que precisa estar junto de mim o tempo todo, porque o ser-humano é assim: o ter vale mais que e o ser. Também é muito desconfortável ler no notebook. Como não tenho um tablet, ou um Kindle, por exemplo, fica complicado para mim. Vivo na rua e na maior parte do tempo, quando não estou trabalhando ou na sala de aula, estou no ônibus, lendo. Por isso, o livro físico é mais acessível para mim. Ficaria muito feliz em ter algum reader para me deliciar em uma leitura onde eu não tenha que viver com um livro em baixo do braço, arriscando amassar, rasgar ou molhar.  

É lindo ter uma estante cheia (e eu amo comprar livros), sentir aquele cheirinho de livro novo, sentir a textura da capa, o peso das folhas e o brilho das ilustrações e depois comentar com aquele seu amigo (ah, eu tenho essa edição especial deluxe do colecionador...). Tenho certeza que o livro físico, as folhas, a brochura, a capa dura, nunca irão acabar. Os tablets podem dominar o mundo, assim como a internet está fazendo hoje, mas a televisão surgiu e acharam que o rádio e os jornais impressos iriam acabar, mas estão aí até hoje, não é? O que eu acredito que pode surgir com o avanço das tecnologias digitais é o entretenimento dentro das páginas do ebook. Uma ilustração em movimento, um vídeo, etc (já existe isso?). Mas nada disso vai diminuir o amor e vontade que todos temos de ler.

Cinquenta Tons de Cinza: Lacrar ou não lacrar?




No dia 17 desse mês, foi publicada uma notícia sobre um juiz de Macaé, no Rio de Janeiro, que chegou em uma livraria com um mandato para recolher a trilogia da autora E. L. James, que segundo o membro da justiça, não estavam devidamente lacrados. O polêmica toda gira em torno do livro ser uma fanfic de Crepúsculo (literatura para adolescentes) e conter um conteúdo erótico proibido para menores de 18 anos. A questão controvérsia é a seguinte: se esses livros não estivessem no auge, se fossem escritos por um autor brasileiro ou se fosse um livro lançado em 1890 causaria a mesma reação das pessoas e da justiça?

De acordo com a notícia publicada no G1, "a iniciativa foi motivada após ele (o juiz) ter verificado pessoalmente, em uma livraria da cidade, crianças perto das vitrines onde livros com conteúdo erótico estavam expostos." Tenho certeza que o juiz tem filhos ou filhas, é conservador e quer que as crianças do Brasil sejam "protegidas" desse tipo de conteúdo. Isso foi o que ele declarou em entrevista. Ok, senhor juiz, concordo que as crianças desse Brasil devem ser protegidas de muita coisa, como o conteúdo da televisão aberta, por exemplo. Mas não vejo porquê toda essa confusão por causa de um livro que contém assunto impróprio para menores de 18 anos e ainda ficam nas prateleiras mais altas (pelo menos foi o que eu verifiquei na foto da livraria).

Há muito pano pra pouca manga para discutir sobre o assunto, mas tem uma coisa que até me faz "concordar" com o juiz em alguns pontos. Ainda segundo a matéria "o artigo 78 do ECA, usado como base pelo juiz, diz que 'revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo'". Massa! O senhor juiz nada mais quer que proteger as crianças e adolescentes desse país cumprindo com a lei, assim como ela está no papel. Se todos os juizes fossem assim, estaríamos vivendo em um Brasil de primeiro mundo. É uma pena nenhum membro da justiça ainda não veio lacrar os estúdios da novela tal, que passa às seis da tarde, com conteúdo inapropriado para menores de 16 anos, né? Que tal proteger as crianças e adolescentes das cenas inapropriadas que passam na televisão aberta?

Dando uma olhada em alguns comentários, me deparei com um bem peculiar, que diz muita coisa: o livro O Cortiço, obra de Aluísio Azevedo, leitura obrigatória para os adolescentes que vão fazer vestibular contém conteúdo totalmente inadequado para os menores de 18 anos. Intrigante, não? Se calcularmos a idade média que os adolescentes começam a estudar para o vesibular, estaríamos obrigando adolescentes de 14 anos a ler um livro com sexo explicíto. Não seria mais útil proibir a composição de músicas de funk, forró ou qualquer outra coisa que pode ser ouvida ou vista publicamente? Porque, sinceramente, não acho que uma criança vá se interessar por um livro de capa preta, com algemas na frente e sem figurinha no miolo, não é mesmo? E a probabilidade dela cair exatamente em uma página que tenha alguma coisa sobre sexo também nem vale contar. 

Colocando minha opinião em poucas palavras: é muita hipocrisia para um país em que exibe uma mulher sambando pelada em rede nacional a qualquer hora do dia querer gerar polêmica com recolhimento de livros eróticos não lacrados em livrarias. Então simbora lacrar os livros de Paulo Coelho! E que tal não obrigar certos livros como O Cortiço a cairem no vestibular? Que tal juiz não querer aparecer e ser o corretíssimo fazendo coisas fora da lógica brasileira? Se é pra proteger crianças e adolescentes, que proteja corretamente e em todos os veículos. O país já tem muito analfabeto e muita criança fora da escolha para ficarmos nos preocupando com a publicação de livros. Vamos educar primeiro, depois nos importamos com as proibições. 


 
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